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A Cruz Milagrosa

  • sunairprojeto
  • 2 de nov. de 2018
  • 4 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2018

Na década de 50, na cidade de Alto Paraguai, no bairro Fazenda Velha aconteceu um crime terrível embaixo de uma árvore chamada lixeira, com um rapaz muito querido pela comunidade. Os mais devotos contam que naquele local acontecem coisas sobrenaturais até os dias de hoje.

Esse jovem tinha um bar na rua conhecida como Rua do Cabaré. Ali ele servia café, bolos e outros quitutes. Certa noite, um senhor, conhecido por todas as pessoas da cidade, chegou bêbado nesse bar. O rapaz, vendo que ele estava impossibilitado de andar sozinho devido ao excesso de bebidas, resolveu acompanhá-lo até sua casa que era bem perto e depois de acomodá-lo em seus aposentos, voltou para o bar

No outro dia, o homem foi procurá-lo para saber quem o levou embora para casa, na noite anterior. O rapaz dono do bar disse que tinha sido ele. Em seguida, o senhor começou a esbravejar dizendo que fora roubado pelo rapaz. O jovem, muito angustiado, explicava que não havia roubado nada, que apenas quis ajudá-lo porque estava alcoolizado e acabaria caindo na rua. Mas o homem não acreditou e continuava insistindo que foi tirado sete mil contos de réis de seu bolso. O jovem contou o desagradável acontecimento a alguns de seus amigos e disse que se arrependeu de ter ajudado, pois procurou uma confusão da qual poderia estar livre. Os dias foram passando e o rapaz continuava com sua rotina vendendo cafés e lanches.

Certo dia, o bar não abriu e o jovem desapareceu. Seus colegas percebendo que o bar continuava fechado, começaram a procurá-lo. Como não o encontraram em nenhum lugar, resolveram denunciar na delegacia.

Um policial designado para se responsabilizar pelas buscas convidou várias pessoas da comunidade para ajudá-lo e seguiram rumo ao Bairro Fazenda Velha. Ele ia orientando as pessoas por onde deveriam seguir, na tentativa de encontrá-lo. Um rapaz que era seu amigo mais próximo e estava no trabalho, ficou sabendo que foram procurá-lo e resolveu também ir ajudar. As pessoas já estavam desconfiadas e temiam achar o jovem morto, pois o boato da discussão já havia se esparramado pela cidade.

Quando seu amigo e mais um colega chegaram à fazenda Velha entraram por um trieirinho e um chinelo e vários rastos de pés no chão. Desconfiados, continuaram a seguir aquelas pistas. Enquanto isso, eles ouviam vozes do grupo de pessoas que estavam com o soldado, procurando em outra direção.

A tarde estava caindo e o Sol já começava a se esconder atrás da serra, mas os dois colegas continuavam a entrar na mata que já estava ficando escura. Sempre seguindo os rastos, eles estremeceram de angústia quando começaram a ver manchas de sangue no chão. As vozes do soldado e das outras pessoas ficavam cada vez mais distantes.

Andaram mais um pouco e encontraram o rapaz amarrado em uma árvore conhecida como lixeira, próximo a uma fazenda. Ele estava morto, castrado, com os dois olhos furados e as unhas arrancadas. Apavorados, começaram a gritar que já tinham encontrado o corpo. Todos vieram correndo e ficaram perplexos com a cena que viram .O corpo foi sepultado ali mesmo, ao pé da árvore lixeira .

Dizem que a população se revoltou tanto com esse crime que na praça da Igreja Matriz , mais de 500 pessoas se juntaram querendo linxar os assassinos. Todos os moradores de Alto Paraguai clamavam por justiça e a noticia do assassinato se esparramou pelas cidades circunvizinhas.

Rapidamente começaram as investigações da polícia e também da comunidade. Os dias foram passando, até que o soldado que tinha ajudado a localizar o cadáver procurou o delegado e confessou que participou do crime juntamente com o homem bêbado que alegou o sumiço do dinheiro. Ele deu os detalhes da atrocidade que fizeram com o dono do bar e ainda contou que, ao todo, sete pessoas participaram do assassinato. Por fim, foram presos na delegacia da cidade e depois transferidos para um presídio na capital, onde todos morreram com passar do tempo .

No local aonde ele morreu, fincaram uma cruz de aroeira muito alta. Os moradores contam que o rapaz assassinado era honesto, trabalhador, justo, amigo e companheiro. Por essa razão, o espírito dele começou a fazer milagres, bastava banhar a cruz com perfume para receber a graça almejada. Muitos dizem que no período da seca foram ao pé da árvore lixeira e depois de perfumar a cruz, pediam que o espírito do jovem assassinado mandasse chuva. Quando entardecia, já começava a trovejar e a chuva logo caía, molhando as plantações e trazendo fartura. Outras pessoas contam que recebeu a cura de doenças. Há ainda aquelas que receberam a revelação do local aonde estava o animal perdido.

Durante muitos anos, as pessoas da cidade e também de outros lugares faziam procissão e se aglomeravam debaixo daquela árvore para fazer seus pedidos. Porém, com o desmatamento para a formação de pasto, o local ficou muito exposto e com isso a população quase não o frequenta mais.

No entanto, ainda há pessoas que, quando estão precisando receber uma dádiva ou a solução de um problema muito difícil, vão até o pé de lixeira, banham a cruz e ficam a espera do milagre.


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