top of page

Papo de Cordão

  • sunairprojeto
  • 2 de nov. de 2018
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2018

No município de Alto Paraguai, próximo ao vale do rio Pari, na época do garimpo quando muitas pessoas vinham para essa cidade em busca de ouro e diamante, existia um senhor que tinha dois papos embaixo do pescoço, era uma doença conhecida como papo de cordão. As pessoas diziam que se ele passasse embaixo do pé de figueira ficaria curado.

Ao anoitecer, esse senhor saiu para procurar um pé de figueira em busca da sua cura. Encontrando a árvore nas margens do rio Pari, subiu e ficou aguardando para ver o que iria acontecer.

Era uma segunda-feira, a noite estava muito escura, não se ouvia vozes de seres humanos somente sons de terror que saíam das matas. O homem já estava apavorado, quando percebeu algo estranho, então olhou para baixo e viu muita gente cantando e dançando, o som da música lhe causava arrepios e calafrios. As pessoas que estavam ali eram bem baixinhas e cantavam circulando ao redor do tronco da figueira.

Muito curioso e com vontade de se livrar da doença, desceu da árvore e se juntou àquelas estranhas pessoas que rodeavam a árvore e cantavam assim:

−Segunda e terça, segunda e terça, meia noite, segunda e terça, segunda e terça, meia noite.

Depois de rodear a árvore por várias vezes cantando esta música, o moço percebeu que o papo havia desaparecido de seu pescoço e estava pendurado em um dos galhos da figueira.

Naquela época, havia muitas pessoas que sofriam com essa doença. Um certo senhor, que também tinha papo de cordão e queria livrar-se daquele incômodo, foi procurar o homem que recebera a cura, para saber como ele também poderia receber aquele milagre. Então ele lhe contou o ocorrido e lhe explicou tudo que deveria fazer. O senhor foi embora muito esperançoso, dizendo que na próxima segunda-feira iria até o pé de figueira.

Na outra semana ele foi até o local e subiu na árvore. De repente, um monte de baixinhos começaram a rodear a figueira e cantar:

−Segunda e terça, segunda e terça, meia noite, segunda e terça, segunda e terça, meia noite.

Ele se lembrou das instruções que recebera e desceu da árvore para se juntar àqueles seres pequeninos que estavam dançando. Entrou na roda e começou a cantar também:

−Segunda e terça, quarta e quinta, meia noite.

As criaturas baixinhas, vendo que ele estava cantando de modo diferente, falaram:

−Quando a música é cantada de outra forma, vira maldição e ao invés de receber a cura fica com os últimos papos que foram deixados na árvore. Misteriosamnente, os dois papos que estavam pendurados nos galhos, pularam e grudaram no pescoço do homem. Assim, aquele senhor que já tinha dois papos acabou ficando com quatro. Ele foi para casa muito triste.

Na cidade de Alto Paraguai ainda existem muitos pés de figueiras e alguns da comunidade, até hoje, passam embaixo delas em busca da cura não somente do papo de cordão, como de outras enfermidades. Os moradores dizem que nessas árvores há algo sobrenatural, por isso quem passa por baixo delas sempre receberá algum milagre.




1 comentário


alcionemodesto
29 de dez. de 2018

Muito legal esta lenda!

Curtir
bottom of page