Pé de Garrafa
- sunairprojeto
- 2 de nov. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2018
Os caçadores de Alto Paraguai, cidade do interior de Mato Grosso contam que, nas matas onde iam esperar os bichos, aparecia uma criatura assustando-os. Eles a chamavam de Pé de garrafa. Naquele tempo, os homens caçavam para complementar a alimentação da esposa e dos filhos.
As famílias costumavam sentar-se à beira de fogueiras para ouvir os causos do pai, marido, vô e tios que sempre tinham algo a relatar sobre as caçadas. Esses senhores, já bem velhinhos, ainda vivem na cidade e até hoje aconselham sobre como lidar, caso alguém tenha a má sorte de encontrar com o Pé de Garrafa que por ser muito feio e estranho, pode assustar até o mais bravo caçador. Eles explicam que ele só morre se for atingido dentro da boca. Os experientes idosos também descrevem as caracterísitcas físicas e outros detalhes do misterioso ser:
A moradia dele é nas furnas, dentro das matas e costuma aparecer nos vãos entre serras, lugares também conhecidos como bocaina, além de gostar de beber água nos rios e nas lindas cachoeiras que existem no município, quando não há pessoas. Se porventura ele aparecer, quem o viu deve mergulhar imediatamente e atravessar para o outro lado, pois todas as assombrações têm medo do mistério que há nas águas.
O Pé de Garrafa já foi visto andando em lugares bem próximos da cidade, desde a serra da Pimenta até o rio Purga aonde fica o distrito do Brumado. No assentamento Casulo, no Campo de aviação e em muitos outros lugares próximos às matas, ele também já foi visto. A semelhança é de um homem. Corpo muito peludo, cabelos e barba enormes; os olhos são brilhantes, os dentes afiados e grandes são expostos para fora da boca; tem uma perna só e com o pé redondo parecendo fundo de garrafa, vive pulando na frente dos caçadores que, ao vê-lo, correm assustados e desistem da caçada. É fácil saber quando ele está se aproximando devido aos assobios altos, estridentes e agudos que solta. Quando já está bem pertinho, exala um mal cheiro muito forte que ninguém consegue explicar como é, mas sabem que é éle se aproximando.
Dizem que na sexta-feira o Pé de Garrafa sai de sua furna, por isso todos sabem que nesse dia da semana não é aconselhável sair para caçar. Mas alguns homens teimosos, querendo exibir coragem, se arriscam e vão para as caçadas. Outros já correram tanto, com o estranho bicho atrás, que resolveram nunca mais voltar.
Certa vez um desses caçadores corajosos estava passando pela serra do Bairro Campo de aviação, quando começou a ouvir assobios, em seguida sentiu um fedor horrível e de repente foi atingido pelas costas com vários murros e ponta-pés. Sua bicicleta fora arrancada de suas mãos e toda amassada. O moço ficou caído no chão quase sem forças, ouvindo os assobios que cada vez mais se distanciavam mata adentro. Foi com as pernas trêmulas e o corpo todo dolorido que ele conseguiu levantar-se e ir para sua casa.
Com o passar do tempo, os homens da cidade começaram a procurar o Pé de Garrafa para tentar matá-lo porque as pessoas já estavam ficando amendrontadas. Um dia, três desses senhores saíram à sua procura e o acharam. Um deles conseguiu colocar a espingarda dentro da boca do monstro e a disparou, porém ele deu uma forte mordida e arrancou o dedão do corajoso senhor. Depois saiu correndo e assobiando mata adentro e não conseguiram descobrir se ele morreu ou não.
Se ele tiver morrido, com certeza há outros pés de garrafa ou então aquele continhua vivo porque as pessoas ainda ouvem, com menos frequência devido ao desmatamento, o som dos assobios que saem das matas e assustam os moradores mais próximos das serras da cidade.
só morre se for baleado dentro da boca. Saíam em grupos, mas só viam as marcas do rasto.
rra da pimenta até no rio purga daqui para o brumado
Gritos vindos da Serra
Caçadores no Casulo ouviram gritos na Serra
Para nas aguas
Grito fino, estalado e estrondoso
Era normal todo mundo sabia que tinha
Só mata se atirar dentro da boca
Sumiu porque foi pra outro canto pq desmataram ele gosta de bocaina e mata e furnas
Sexta não pode esperar
Ele gosta de ficar isloado no mato






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