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As Bruxas de Alto Paraguai

  • sunairprojeto
  • 2 de nov. de 2018
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2018

Dizem que na década de 70, na cidade de Alto Paraguai, havia bruxas que sobrevoavam as casas durante a noite e atacavam as crianças que amanheciam sem sangue e mortas. Os moradores da cidade contam que quando a mãe tivesse, consecutivamente sete filhas, a primeira ou a sétima viraria bruxa por ter nascido com aquela triste sina.

As casas de pau a pique não ofereciam nenhuma segurança às famílias, isso facilitava a entrada das misteriosas criaturas pelo telhado de palha. Elas precisavam de sangue ou vinho para sobreviver e gostavam da escuridão. Como ainda não havia eletricidade, as mães deixavam as candeias acesas durante a noite inteira, tentando proteger seus filhos, caso as bruxas aparecessem.

Transformada em passarinho, a bruxa pousava sobre a casa e assim que a mãe dormia soltava um facho de luz na direção da criança, depois chupava-lhe o sangue pelo umbigo. Quando amanhecia, o filho estava pálido, sem nenhuma gota de sangue e morto. Os pais choravam de tristeza e desespero sem saber o que fazer para acabar com aquela maldição que assolava as famílias da cidade.

As senhoras mais velhas ensinavam que para espantar as bruxas era necessário fazer um cordão de alho e colocar no pescoço da criança, também tinha que por uma tesoura aberta embaixo da cama. As mães, com muito medo de perder seus filhos, faziam tudo bem certinho.

Outra coisa que as bruxas gostavam de fazer era entrar nos bares à noite e beber todo o vinho que encontravam. No outro dia, os donos achavam as garrafas vazias. Para que as bruxas parassem de atacar, eles também usavam o cordão de alho e a tesoura aberta.

Por vezes, os proprietários dos bares ficaram vigiando até altas horas da madrugada, para ver quando as bruxas chegariam. Eles contam que uma só bruxa voando fazia barulho como se fossem muitos passarinhos e que ao bater as asas, provocavam uma terrível ventania, derrubando galhos de árvores, levantando a poeira das estradas de chão e arrancando as palhas do teto. Nesse momento, eles colocavam o cordão de alho no pescoço e abriam várias tesouras dentro do bar, afugentando as bruxas que voavam em disparada.

Os idosos contam que em Alto paraguai ainda existem casas aonde nasceram sete filhas uma atrás da outra. Elas convivem como pessoas comuns e educadas durante o dia, mas quando a escuridão da noite cai sobre a cidade, elas viram bruxas e saem em busca de vinho e sangue.


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