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Enterro dos Diamantes

  • sunairprojeto
  • 2 de nov. de 2018
  • 3 min de leitura

Atualizado: 14 de nov. de 2018

Há mais de oitenta anos, dois senhores começaram a extrair diamantes à beira de um córrego, ao qual deram o nome de Gatinho, devido a um filhote de onça que sempre aparecia por ali. O garimpo foi crescendo e a notícia da grande quantidade de pedras preciosas se esparramou. Poucos anos depois, o local se encheu de garimpeiros vindo de todas as regiões do Brasil, principalmente da Bahia e em 1953, o Vilarejo Gatinho se tornou o que hoje é o município de Alto Paraguai. Naquela época, os diamantes eram tão abundantes que os garimpeiros os vendiam, e com a imensa quantidade de dinheiro que recebiam, compravam cerveja para dar banho em seus cavalos. A farra era grande! Dizem que a bebida alcóolica penetrava nos poros dos animais, embebedando-os, outras vezes, eles os banhavam com perfume. No entanto, alguns deles, pensando em reservar um pouco das economias, enterravam os diamantes para depois ultilizá-los quando tivessem necessidade e, na maioria das vezes, não contavam para ninguém, o local do enterro, nem mesmo para a família.

Durante o esplendor do garimpo, havia muitas mortes causadas por brigas e bebedeiras que aconteciam nos finais de semana. Na rua do cabaré morria muita gente baleada, pois naquele tempo era comum o uso de armas de fogo. Como as mortes eram repentinas, não dava tempo de contar para os familiares aonde os diamantes estavam enterrados.

Depois de passar vários anos, o falecido aparecia nos sonhos de alguém para lhes entregar o enterro. O espírito do morto mostrava o lugar do tesouro e explicava que a pessoa que sonhou não poderia contar para ninguém e tinha que ir sozinho buscar a riqueza que recebeu. Às vezes achavam o próprio diamante enterrado, outras vezes ouro e alguns contam que encontravam também objetos como vasos, talheres e outras peças de prata.

Quando a pessoa chegava ao local indicado e começava a cavar, ouvia assobios horripilantes e gritos de horror. Ventanias balançavam as árvores, vultos passavam para lá e para cá, formigas e cobras apareciam de repente, saindo das matas. A pessoa tinha que ter coragem, cavar até achar o tesouro e sair em silêncio.

Certa vez um senhor ganhou um enterro no sonho e sabia que deveria ir buscá-lo sozinho, mas levou um amigo. Chegando lá, enquanto eles cavavam, coisas sobrenaturais iam acontecendo, eles arrepiavam de medo, mas continuaram cavando e quando chegaram no final, acharam somente carvão e cinza. Decepcionados, voltaram para casa e o homem já arrependido de ter levado seu amigo junto, não conseguiu pegar a riqueza recebida.

Outro senhor que também recebeu um enterro no sonho ficou rico porque não contou para ninguém. A vizinhança sabia que ele era pobre e nem tinha casa própria para morar. Inexplicavelmente, aquele senhor começou a comprar casas e alugar para as pessoas que vinham de fora, construiu uma grande loja que vendia de tudo e sempre andava com bastante dinheiro. Então a vizinhança suspeitou que ele havia ganhado um enterro e essa era a razão do enriquecimento repentino.

Muitas pessoas da cidade de Alto Paraguai foram visitadas por espíritos em sonhos, algumas ficaram ricas, outras não. Os garimpeiros mais antigos dizem que até hoje existem famílias que misteriosamente mudaram de vida. Quem enriquece jamais explica como se livrou da pobreza, só se ouve falar que do nada, enriqueceu. As línguas mais corajosas segredam aos ouvidos dos vizinhos, que com certeza o sortudo recebeu um enterro.


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