O Lobisomem de Alto Paraguai
- sunairprojeto
- 2 de nov. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 14 de nov. de 2018
Desde quando a cidade de Alto Paraguai foi ficando conhecida, várias pessoas falavam do lobisomem que aparecia entre quarta e sexta-feira, a partir das 9 da noite, em muitos lugares, principalmente nos sítios da cidade.
Os moradores mais antigos contam que quem tem de ser lobisomem já nasce com este destino. Nas famílias onde a mulher engravida, seguidamente, de sete meninos, o primeiro ou o último se transformará nessa terrível criatura. Outra forma de se transformar é por uma palavra de maldição lançada pela mãe quando a criança ainda está no ventre.
Geralmente, as pessoas que viram lobisomem costumam usar calça comprida e camisas abotoadas até o punho. Dizem que eles usam essas vestes porque seus braços e pernas ficam machucados após sua transformação. Eles andam com os cotovelos e joelhos no chão, de forma que as mãos tomam o lugar das orelhas que se batem emitindo um estranho som, e os pés ficam para trás, com a sola para cima. O corpo é peludo como de um animal, mas o rosto continua como de um ser humano. Para se transformar, ele procura um poleiro, rola na bosta de galinha e sai para caçar, devorando pessoas e animais que cruzarem seu caminho.
Em Alto Paraguai existem muitos casos de lobisomem, um deles aconteceu no sítio das pedras, a 30 km da cidade, próximo à cachoeira do rola. Ali morava um senhor bem velhinho, que sempre usava roupas compridas e sumia de sua casa, todas as quartas e sextas- feiras, à noite.
A vizinhança já estava desconfiada, pois apesar daquele senhor ser um bom vizinho, amigo e companheiro, nas noites em que ele desaparecia, os cachorros ficavam muito assustados, os porcos, galinhas, gatos e outros animais sumiam. Ninguém tinha certeza de que era o idoso que estava fazendo toda aquela arruaça, até que o viram transformando-se em lobisomem, em um galinheiro.
Era uma noite fria de lua cheia, alguns amigos estavam reunidos jogando baralho, enquanto as esposas faziam café e bolinhos. Quando terminaram a última partida, os vizinhos se despediram e foram, cada um, para suas casas. Um deles chegou, e se deparou com aquele idoso rolando na bosta de galinha, no galinheiro de seu quintal. Ele ficou de longe observando e o viu transformando-se, seus dentes eram enormes e seus olhos brilhavam como olho de bicho. Os pelos do corpo cresceram tomando o lugar das roupas, o cabelo ficou enorme, as mãos grudaram nas orelhas e os pés viraram para trás. O moço disse que, naquele momento, parece que suas pernas caíram e ele não conseguia correr para dentro de casa. O lobisomem foi chegando, cada vez mais perto, olhou fixamente para ele e viu que era seu vizinho e amigo. Rapidamente, virou as costas, correu batendo fortemente com os cotovelos e joelhos no chão e adentrou pela mata.
No outro dia, lá da sua casa o homem viu que seu vizinho tinha voltado à sua forma humana, criou coragem, foi até lá e o viu deitado em uma rede. Estava machucado, com os braços e pernas ralados, ao seu lado havia uma lata de água morna, então perguntou- lhe o que iria fazer com aquela água. Ele respondeu que estava bebendo para vomitar o que tinha comido na noite passada e que lhe fizera mal. A partir daquele dia, a pequena comunidade daquele lugar teve certeza de que aquele senhorzinho já de idade era o lobisomem.
As pessoas mais idosas contam que ainda existe lobisomem em Alto Paraguai. Elas dizem que quem lhe tirar sangue será perseguido por ele até a morte e quem matá-lo receberá a maldição em seu lugar. Quando alguém encontrar com esse monstro, deverá se encher de coragem, procurar um pau de fumo e bater nele até acertá-lo, assim ele voltará à sua forma de ser humano e a maldição será quebrada.






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